VULNERABILIDADE: QUANDO AS MÁSCARAS CAEM

Vulnerabilidade Quando as máscaras caem

VULNERABILIDADE: QUANDO AS MÁSCARAS CAEM

Nascemos com expectativas em cima da gente. Morremos assim também.

E é para atendê-las e viver em sociedade, que criamos estratégias de sobrevivência, que são nossas máscaras.

Não são ruins, são até necessárias pra chegarmos em muitos lugares.

Pois temos:

– Medo de ser julgado

– Não ser amado

– Ser rejeitado

– Não validado

– Medo de romper padrões

 

Então, muitas vezes, para garantir que não acessemos estas dores e medos, fingimos sermos quem não somos. Para estarmos no padrão aceitável e esperado.

Isso pode ser uma estratégia necessária, até isso começar a te incomodar, a te levar em lugares que não mais te preenchem, a despertarem pessoas que não mais se identifica, a ferirem seus valores e sua essência mais genuína.

É como fingir ser “super fria” na tomada de decisão porque seu “universo corporativo” espera isso de seu papel, mas no fundo, sua essência sangra, porque quer acolher todos à sua volta.

Isso nos fere, nos agride na alma, porque choca com nossa essência.

Quem disse que isso traz felicidade? Muita gente passa uma vida montado em suas máscaras e perde sua identidade, o brilho no olhar, não se reconhece mais. Porque a máscara não preenche. A essência respeitada é que preenche, que traz significado pra vida.

Nos aprisionamos em máscaras para atender o outro, para ser aceito, amado, não julgado. Mas esquecemos que o auto julgamento e que o amor próprio é ainda mais poderoso.

Nos comparamos com as pessoas para entrar no padrão, pra seguir o fluxo. Quantas vezes nos comportamos da uma maneira apenas porque a maioria está se comportando assim? E se isso ferir sua essência? Isso dói. A comparação é uma prisão que mina nossa força.

 

As máscaras são adaptações, por natureza. Estratégias necessárias para vivermos.

Adaptar-se é fundamental pra viver em sociedade e é sinal de flexibilidade. Então qual o limite, pra deixar a máscara cair?

Quando essa máscara é pesada demais pra segurar, quando agride sua essência e choca com os seus valores.

 

Máscaras nos distanciam da nossa essência. Evolução comportamental, não.

Nossa essência tem a ver com nossos valores mais profundos, e podemos passar por transformações comportamentais reais e profundas, e manter nossos valores essenciais.

Não morreremos como nascemos, somos seres em movimento, em constante transformação.

Mas a questão aqui é perguntar-se:

– Essa transformação é de verdade, faz sentido na minha vida, eu desejo evoluir essa atitude e postura, isso traz ganhos pra mim?

– Essa transformação não fere meus valores?

Isso está longe de ser máscaras e fingimentos, porque é um movimento lindo e genuíno, de evolução.

 

Quando sua máscara cai, você se coloca vulnerável na situação, é como estar sem proteção. É despir-se mesmo. Ir no risco, com medo mesmo.

A máscara se relaciona com as expectativas que os outros têm de você e com os seus medos. A vulnerabilidade se relaciona com você mesmo.

 

Vulnerável é se colocar como está, mesmo que não agrade e vá contra o fluxo e a maioria.

É se colocar despido, sem defesas, sem a casquinha da ferida.

É se colocar apesar do medo, da insegurança, da incerteza.

É olhar pra sua dor e assumir, se despir. É correr o risco de ser julgado, não ser validado nem amado.

Sim, é ficar desprotegido, é viver o não controle, é tirar sua armadura de defesa.

 

Se colocar vulnerável é correr o risco de:

– pedir o 1º beijo

– falar eu te amo primeiro

– pedir demissão pra empreender

– emitir a opinião polêmica

– subir no palco sem ter ensaiado a fala

– é pedir ajuda e colo

– é dizer que não dá conta sozinha, que precisa do outro

 

É soltar o controle da situação, aceitar o imprevisível, é fugir do padrão, sair da famosa zona de conforto.

 

É ir pra arena despido com riscos, sem garantias de proteção e sem saber como será aquela luta.

E isso demanda muita coragem. E medo não é o oposto de coragem…

É ter coragem de se colocar, apesar do medo.

 

E só quando acessamos nossa vulnerabilidade, conseguimos chegar na nossa essência. Você rompe a máscara que te agride, que te faz fingir.

Tira a “couraça” da super fortaleza que ninguém tem, mas que aprendemos que precisamos ter sempre, doa a quem doer. Mas dói muito tentar ser forte sempre.

 

E é nesse lugar de vulnerável, de quem erra, de quem recebe um não, que consigo me conectar com minha essência e, assim, gerar conexão com o outro.

O outro reconhece a humanidade em mim. Se identifica. Porque “heróis perfeitos” não existem. É exatamente na imperfeição que atraímos conexão.

Que mostramos que somos comum, de verdade, sem filtro!

 

Ao aceitar minhas fragilidades, meus limites, tenho muito mais sensibilidade comigo. E é essa humanidade que encanta, que inspira, que identifica, que conecta.

O mundo está cansado de “foto perfeita” da rede social. O mundo precisa de verdade! Dos bastidores!

 

Mas peralá, deixa ver se entendi, Mari:

Se passamos a vida nos protegendo, criando armaduras e estratégias de defesa, de tanto “apanhar da vida”, não seria loucura eu me vulnerabilzar?

Claro que não sairemos acessando nossa vulnerabilidade a toda hora, pra qualquer cena e pra qualquer pessoa.

Nós sim ainda precisamos das máscaras, nos defender e nos proteger na nossa zona de conforto tão desejada. Em grande parte das situações.

Mas, em alguns momentos, para conquistar o que tanto desejamos, conosco e com nossas relações mais importantes: é nesse lugar de vulnerável que conseguirá o que deseja.

É ao dizer que não dá conta, é que conseguirá um tempo pra respirar; é ao pedir um beijo que tem chances de ganhar; é ao pedir demissão que pode viver seu sonho de empreender.

É fazer contas: analisar os riscos e os potenciais de ganhos.

Se o potencial de ganho for, pelo menos, de 50%, e isso fizer muito sentido pra você: vulnerabilize-se, vai pra arena e corra o risco.

Isso pode mudar sua vida.

 

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